Carta dos Direitos Digitais
Opor-me-ei
a qualquer medida que retire o poder de decisão aos decisores
judiciários ou políticos democraticamente eleitos, em assuntos que
afectam os direitos fundamentais dos cidadãos europeus, incluindo, mas não limitado a, qualquer um dos princípios abaixo descritos.
Vou
apoiar propostas que maximizem a transparência e permitam aos cidadãos
participar nos processos legislativos da UE, através de um melhor acesso
aos documentos (incluindo consultas) em todas as línguas europeias. Vou
apoiar medidas que promovam a disponibilidade de dados do governo para
cidadãos, bem como o uso de formatos e padrões abertos no governo.
Vou
apoiar a legislação que promova e proteja os direitos fundamentais dos
cidadãos à proteção de dados e à privacidade. Isto inclui capacitar-nos
para decidir, de forma proactiva, se e como os nossos dados pessoais são
processados. Vou apoiar medidas destinadas a garantir níveis adequados
de transparência e segurança do tratamento de dados.
Vou
apoiar a legislação que vise eliminar qualquer registo ou quaisquer
outros requisitos restritivos para a disponibilização de conteúdos ou
serviços de Internet. Vou apoiar medidas legislativas que assegurem a
protecção da neutralidade da rede, a concorrência efectiva e
liberalização do espectro radioeléctrico.
Vou
defender a liberdade de comunicação e o direito a participar na vida
cultural, no contexto de reforma das leis que regulam os direitos de
autor e o acesso ao conhecimento. Vou apoiar iniciativas visando
harmonizar e tornar obrigatórias as utilizações livres, agora opcionais,
existentes nos direitos de autor, a fim de facilitar a (re)utilização
de conteúdos por indivíduos. Vou apoiar reformas que visem tornar
obrigatórias as utilizações livres de obras protegidas pelo Direito de
Autor para instituições públicas e entidades sem fins lucrativos, como
instituições culturais, históricas e educativas. Vou apoiar iniciativas
que garantam que obras, e outros conteúdos, financiadas com recursos
públicos sejam disponibilizadas no domínio público. Não vou apoiar
legislação que vise alargar o âmbito ou a duração dos direitos de autor
ou de direitos similares.
Não
vou apoiar qualquer proposta que vise o armazenamento de dados ou
vigilância de comunicações que não tenha sido submetida a uma avaliação
credível e independente sobre a sua necessidade e proporcionalidade, ou
que não esteja sujeita a uma revisão periódica com o fim de aferir e
garantir a conformidade com esses critérios.
Vou
apoiar propostas legislativas para salvaguardar o anonimato online e o
direito ao uso de encriptação. Vou apoiar medidas para desenvolver e
promover, com as obrigações legais, quando necessário, o uso de
tecnologias de protecção da privacidade.
Não
vou apoiar qualquer medida ou iniciativa que antecipe a avaliação
judicial de alegadas violações on-line, procurando incentivar, coagir ou
permitir que prestadores de serviço da Internet e outras organizações
policiem ou punam alegadas violações on-line, excepto quando as medidas
tomadas são impostas por um curto tempo, e em que a alegada violação
envolva perigo iminente para as pessoas e quando o Estado em que o
prestador está sedeado seja obrigado a tomar medidas para resolver o
problema com urgência.
Não
vou apoiar a proliferação, quer por meio de crédito à exportação ou de
outras garantias estatais, de tecnologias de vigilância ou censura
produzidas na Europa, para países autoritários que não respeitam o
Estado de Direito. Vou lutar para defender a privacidade de jornalistas,
activistas e cidadãos de todo o mundo, através do apoio a legislação
que impeça regimes opressivos de adquirirem esse tipo de tecnologia e
serviços junto de qualquer entidade na União Europeia.
Vou apoiar normas e modelos livres, abertos, bottom-up
e multilaterais de coordenação dos recursos da Internet — nomes,
números, endereços etc. Vou apoiar medidas que visem garantir a
capacidade de representantes da sociedade civil participarem de fóruns
multilaterais. Vou opor-me a qualquer tentativa por parte de empresas,
entidades governamentais e intergovernamentais de assumir o controle e a
governação da Internet.
Vou
apoiar medidas que permitam ou promovam a utilização generalizada de
programas de código aberto (Open Source Software). O que inclui o
Governo e as demais entidades públicas, em particular entidades que
recebem financiamentos a partir do Orçamento da UE.